A vinda de
Dom Pedro à Sergipe
História resumida
D. Pedro II foi um dos
maiores viajantes do seu tempo. Sempre acompanhado de altas autoridades,
algumas vezes ao lado da mulher, o Imperador percorreu o Brasil e ainda teve
tempo de correr mundo, fazer amizades e firmar, internacionalmente, uma imagem
de governante ilustrado. Mais de século e meio depois, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva encanta estrangeiros de vários países, como um produto vitorioso
de um País mestiço, descoberto e colonizado pelos portugueses e outros
europeus, africanos, árabes e judeus, e que tinha uma população indígena
numerosa, nem vínculo de parentesco com os povos do mundo.
A vinda
De 1859 à 1860, o
Imperador Pedro II fez uma excursão demorada, de meses, navegando pelo rio São Francisco, até a
Cachoeira de Paulo Afonso, visitando as Províncias da Bahia, Sergipe,
Pernambuco, Espírito Santo, tomando uma aula presencial sobre o funcionamento
do Império brasileiro, que seu pai, Dom Pedro I, no Brasil, Dom Pedro IV, em
Portugal, legou, em continuidade aos esforços do avô Dom João VI. O Brasil
republicano praticamente arquivou tudo aquilo que teve relação com o Império,
como antes os dirigentes imperiais fizeram com Portugal. A invenção do Brasil
requereu, assim, um grande esforço que parece agora ser recompensado, na
expressão admirada em torno do Presidente Lula.
Na viagem pelo rio São
Francisco, em outubro de 1859, munido de bons mapas e contando com auxílio de
entendidos, o Imperador conheceu as cidades sergipanas e alagoanas que ocupavam
as margens do velho Chico, as ilhas, as grutas, os morros, cumprindo um roteiro
que impunha contatos, beija-mão, visitas a escolas, igrejas, entidades pias, e
a outros equipamentos sociais. De tudo Dom Pedro II fez anotações, registros, e
desenhos que estão contidos nos manuscritos depositados e sob a guarda do Museu
Imperial de Petrópolis, parte dos quais publicados. Em tais documentos foram
fixadas informações úteis, que ajudam a recuperar a memória ribeirinha, nem
sempre preservada.
No dia 11 de janeiro
de 1860, no fim da tarde, Pedro II, sua mulher (que não estava na comitiva pelo
rio São Francisco) e diversos convidados inauguraram a Ponte do Desembarque,
que tomaria o nome de Ponte do Imperador, e pisavam nas areias e aterros do
Aracaju, que estava em construção como nova capital da Província de Sergipe,
graças ao ato conseqüente e responsável do Presidente da Província Inácio
Joaquim Barbosa, em 17 de março de 1855. Aracaju estava engatinhando, e era um
canteiro de obras, engalanado para receber tão ilustres visitantes. Foi um delírio
para a cidade, um testemunho da capacidade de trabalho dos governantes, uma
idéia de como o Império mantinha suas relações de Poder com as Províncias, um
exemplo a ficar na história.
Em janeiro de 1860
estavam prontas a Casa de Oração São Salvador (atual Igreja do Salvador), que
funcionava como Matriz, o Palácio Provisório, que foi adaptado para ser Paço
Imperial, as praças e ruas centrais, algumas repartições públicas, do Império e
da Província, e por todos os lados outras obras anunciavam o que seria a
capital de Sergipe: novo Palácio, casa da Assembléia, correios, hospital,
asilo, alfândega, força pública, e muito mais que requer uma cidade, com sua
responsabilidade de ser porto mercantil, por onde circulasse a riqueza. O
volume de obras descritas na memória sobre a visita do Imperador impressiona
pela grandeza, pela capacidade técnica, pela firmeza da gestão provincial, pela
disposição, incessante, dos administradores em cumprirem com o projeto da
construção de Aracaju. Foram muitos dias de festas, atos públicos, e de visitas
ao interior. Pedro II esteve na Barra dos Coqueiros, em Laranjeiras, em Maroim,
no Canal do Pomonga, em São Cristóvão, e no Engenho Escurial, utilizando em
suas visitas os mais diversos tipos de transporte possível, principalmente
barco e cavalo.
Boas vindas para o Imperador
Na comitiva do
Imperador, em todas as visitas provinciais de 1859/1860, o Capelão era o padre
Antonio José de Melo, sergipano, ordenado no Seminário da Bahia, cônego da
Catedral do Rio de Janeiro, ecônomo da Mitra, (por morte do Conde de Irajá,
Manoel do Monte Rodrigues de Araújo). Depois da visita, o cônego Antonio José
de Melo foi designado Vigário geral Interino, designado diretamente pelo
Imperador Pedro II para ser o Capelão das suas viagens, que, ao final, lhe
rendeu a Comanda da Rosa e a nomeação, em 1864, para Monsenhor. Antonio José de
Melo morreu no Rio de Janeiro em 1885.
Ao final da visita o Presidente da Província,
Manoel da Cunha Galvão (1822-1872) mandou publicar o livro Viagem Imperial à
Província de Sergipe ou Narração dos preparativos, festejos e Felicitações que
tiveram lugar por ocasião da visita que fizeram à mesma Província Suas
Majestades Imperiais em janeiro de 1860 (Bahia: Tipografia do Diário, 1860), de
autoria de Luiz Álvares dos Santos, jornalista. e professor especialmente
contratado para dirigir a Tipografia Provincial de Sergipe e para anotar a
viagem.